segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Minicurso “A Padaria Espiritual e a modernidade em Fortaleza"


Olá, convidamos a todos(as) para participar do Minicurso “A Padaria Espiritual e a modernidade em Fortaleza, que ocorrerá nos dias 20 e 21 de outubro, durante a X Semana de Humanidades, na UFC. O minicurso tem o intuito de apresentar e discutir as representações literárias da vida moderna em Fortaleza publicadas no periódico O Pão, da Padaria Espiritual. Enfatizaremos os textos literários que tratam do cotidiano conturbado da capital cearense, tendo como palco principal a Praça do Ferreira e seu entorno. Para discutir os textos de O Pão e o contexto literário da Padaria Espiritual, trabalhamos com a categoria modernidade, do poeta francês Charles Baudelaire no ensaio “O pintor da vida moderna” (1869). O minicurso é uma atividade do projeto de extensão “O entre-lugar na literatura cearense”, orientado pela Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva, Professora Titular de Teoria literária e Literatura Comparada da UFC.
Dias 20 e 21 de Outubro, de 08:00 às 12:00 da manhã, na Sala 7- Bloco Didático de História


Proponentes do Minicurso:
Prof. Charles Ribeiro Pinheiro (Doutorando/UFC)
Prof.ª Rafaela de Abreu Gomes (Doutoranda/ UFC).


Grupo de Trabalho ‘Literatura, leitura e imaginário”

Olá, convidamos a todos(as) para assistirem os trabalhos que serão apresentados no Grupo de Trabalho ‘Literatura, leitura e imaginário”, que ocorrerá no dia 21 de outubro (sexta), de 14h às 18h, durante a X Semana de Humanidades, na UFC. O GT tem como objetivo discutir a importância da leitura do texto literário para uma formação individual e coletiva, com ênfase em aspectos estéticos, críticos, sociais e lúdicos. O GT é realizado pelo Grupo de Pesquisa “Espaços de leitura: cânones e bibliotecas”, coordenado pela Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva, Professora Titular de Teoria literária e Literatura Comparada da UFC. Venha participar desse amplo debate!

Coordenação do GT:
Prof.ª Rafaela de Abreu Gomes (Doutoranda/ UFC);
Prof. Charles Ribeiro Pinheiro (Doutorando/UFC).


domingo, 9 de outubro de 2016

Todorov e sua formação pelos clássicos da literatura



Meditações GT: Literatura, leitura e imaginário
Parágrafos iniciais da brilhante obra “Literatura em perigo”, em que Tzvetan Todorov salienta a importância da leitura dos clássicos da Literatura Universal para a sua formação como cidadão e como professor:

“Por mais longe que remontem minhas lembranças, sempre me vejo cercado de livros. Como meus pais eram ambos bibliotecários, havia sempre muitos livros em minha casa. Meu pai e minha mãe viviam às voltas o planejamento de novas estantes para absorver todos os novos volumes; enquanto isso, os livros se acumulavam nos quartos e corredores, formando pilhas frágeis em meio às quais eu devia me esgueirar. Logo aprendi a ler e comecei a devorar os textos clássicos adaptados para jovens, ‘As Mil e Uma Noites’, os contos dos irmãos Grimm e de Andersen, ‘Tom Sawyer’, ‘Oliver Twist’ e ‘Os Miseráveis’. Um dia, aos oito anos, li um romance inteiro; devo ter ficado muito orgulhoso com o fato, pois escrevi em meu diário: "Hoje, li Sobre os do Meu Avô, livro de 223 páginas, em uma hora e meia!"
Durante o primário e o ginásio, continuei a venerar a leitura. Entrar no universo dos escritores, clássicos ou contemporâneos, búlgaros ou estrangeiros, cujos textos passei a ler em versão integral, causava-me sempre um frêmito de prazer: eu podia satisfazer minha curiosidade, viver aventuras, experimentar temores e alegrias, sem me submeter às frustrações que espreitavam minhas relações os garotos e garotas da minha idade e do meu meio social. Não sabia o que queria fazer da minha vida, mas estava certo de que teria a ver a literatura”.
(Todorov, 2009, p. 15).

Antoine Compagnon e a leitura literária

 Meditações GT: Literatura, leitura e imaginário

Antoine Compagnon
"A questão central de toda reflexão sobre a leitura literária que queira afastar-se da alternativa subjetivismo e objetivismo, ou impressionismo e positivismo [...] é a liberdade concedida ao leitor pelo texto. Na leitura como interação dialética entre o texto e o leitor, [...] qual seria a parte de restrição imposta pelo texto? E qual é a parte de liberdade conquistada pelo leitor?"
No livro “O demônio da literatura: literatura e senso comum, 2010, p. 144.

A Padaria Espiritual: entre lutas, livros e leituras

Arte da imagem por Santiago Régis
Charles Ribeiro Pinheiro - Prof. Me. e Doutorando em Letras (UFC).

 A Padaria Espiritual foi o mais original acontecimento literário ocorrido em Fortaleza, que agitou culturalmente a cidade na passagem do século XIX para o XX. Surgida nas cadeiras do Café Java, quiosque estilo Art Nouveau que ficava na Praça do Ferreira (Centro da cidade), de propriedade de Mané Cocô, concentrava jovens boêmios, artistas e literatos, que debatiam as novidades literárias da época. Desde o final da década de 1860, a capital cearense estava crescendo materialmente, devido a grande exportação de algodão para a Inglaterra.  Devido ao desejo de se modernizar e de se atualizar, houve uma intensa e difícil procura por livros, que eram comprados, emprestados, lidos e discutidos nas ruas, praças, cafés, livrarias, gabinetes de leituras, clubes e agremiações literárias. No Café Java, no final de maio de 1892, a Padaria Espiritual foi formada pelo gracejo do poeta Antônio Sales, instigado pelos seus amigos Lopes Filho, Ulisses Bezerra, Sabino Batista, Álvaro Martins, Temístocles Machado, Tibúrcio de Freitas. Os amigos de Sales queriam criar um grêmio literário para despertar o gosto pelas letras na cidade, mas o poeta não queria criar uma instituição séria e formal, como tantas outras que existiam. Sales só concordaria em organizar o grupo “só se fosse uma cousa nova, original e mesmo um tanto escandalosa, que sacudisse o nosso meio e tivesse uma repercussão lá fora”. O Programa de Instalação, redigido por Antônio Sales foi lido na primeira reunião oficial da agremiação. Publicado nos jornais da cidade, ficou conhecido e foi comentado por todo o país, por sua criatividade e irreverência. O Programa destacava várias missões para criar e estimular a literatura em nosso estado, tais como “1) Fica organizada, nesta cidade de Fortaleza, capital da "Terra da Luz", antigo Siará Grande, uma sociedade de rapazes de Letras e Artes, denominada Padaria Espiritual, cujo fim é fornecer pão de espírito aos sócios em particular, e aos povos, em geral”. O grêmio foi formado por 20 sócios (padeiros), que adoraram nomes-de-guerra, e posteriormente, em 1894, houve uma reorganização, e entraram mais 14 membros. As reuniões eram chamadas de ‘fornadas’, onde os padeiros se juntavam para discutir literatura, para divulgar suas produções artísticas e literárias e para contar pilhérias. Eles publicaram um jornal intitulado O pão, que contou com 36 números, editados entre 1892 a 1896. A agitação que a Padaria provocou na cidade, tirando-a do marasmo, deve-se ao desejo de socializar a literatura. Os problemas que os padeiros discutiam em suas reuniões e no Jornal O Pão, passados 120 anos, infelizmente, continuam atuais: o descaso geral em relação à democratização da educação e da cultura, a dificuldades de obter livros de publicar suas produções literárias numa cidade sem leitores, a inexistência de políticas públicas de acesso aos livros. A Padaria Espiritual se notabilizou pela originalidade e pelo humor, pela difusão das estéticas literárias da época, pela divulgação das novidades culturais, científicas e políticas que ocorriam no Brasil e no estrangeiro, pelo lançamento e publicação de novos escritores, sobretudo, pela luta a favor do livro, da literatura e da leitura no Ceará.
*Síntese da Palestra conferida no IV Seminário de Bibliotecas Comunitárias do Jangada Literária (2016). 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Minicurso A Padaria Espiritual e a modernidade em Fortaleza


Olá, convidamos a todos(as) para participar do Minicurso “A Padaria Espiritual e a modernidade em Fortaleza, que ocorrerá nos dias 19, 20 e 21 de outubro, durante a X Semana de Humanidades, na UFC. O minicurso tem o intuito de apresentar e discutir as representações literárias da vida moderna em Fortaleza publicadas no periódico O Pão, da Padaria Espiritual. Enfatizaremos os textos literários que tratam do cotidiano conturbado da capital cearense, tendo como palco principal a Praça do Ferreira e seu entorno. Para discutir os textos de O Pão e o contexto literário da Padaria Espiritual, trabalhamos com a categoria modernidade, do poeta francês Charles Baudelaire no ensaio “O pintor da vida moderna” (1869). O minicurso é uma atividade do projeto de extensão “O entre-lugar na literatura cearense”, orientado pela Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva, Professora Titular de Teoria literária e Literatura Comparada da UFC.
O minicurso ocorrerá nos dias 20 e 21 de Outubro, de 08:00 às 12:00 da manhã.
Inscrição no Evento para o minicurso: http://goo.gl/reieLh

Proponentes do Minicurso:
Prof. Charles Ribeiro Pinheiro (Doutorando/UFC)
Prof.ª Rafaela de Abreu Gomes (Doutoranda/ UFC);

Mais informações em:
Email: entrelugar.literaturacearense@gmail.com



EMENTA COMPLETA

A PADARIA ESPIRITUAL E A MODERNIDADE EM FORTALEZA

Autor: Prof. Me. e Doutorando Charles Ribeiro Pinheiro (UFC)
Coautora: Prof.ª M.ª e Doutoranda Rafaela de Abreu Gomes (UFC)
Orientação:  Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva (UFC)

Resumo: A cidade de Fortaleza do final do século XIX e início do século XX foi um espaço de riquíssima efervescência cultural e política. O fator gerador dessa agitação foi o rápido desenvolvimento econômico da capital cearense, em virtude da exportação de algodão para a Inglaterra, durante as décadas de 1860-1870. Ocorreu um amplo desenvolvimento material na capital, que poucos anos antes era apenas uma cidade provinciana, cujo centro econômico passou a ser a Praça do Ferreira. O desenvolvimento material da cidade foi acompanhando pelo cultural, pois a expansão do comércio em Fortaleza ensejou no progresso intelectual da província, cenário em que novas ideias e novas tendências estéticas e literárias  começaram a fermentar nas ruas, praças, cafés, livrarias, clubes, agremiações literárias. No início da década de 1890, um grupo de jovens literatos e boêmios que frequentavam o Café Java, na Praça do Ferreira, liderados por Antônio Sales, funda a Padaria Espiritual, agremiação artística e literária com o objetivo espalhar o ‘pão do espírito’ (a literatura e as artes) para todos, com o afã de agitar culturalmente a cidade, tentando tirá-la do marasmo cotidiano. Além de reuniões culturais, os padeiros editavam o jornal O Pão, espaço para publicação de textos literários e divulgação de ideias. O minicurso tem o intuito de apresentar e discutir as representações literárias da vida moderna em Fortaleza publicadas no periódico O Pão, da Padaria Espiritual. Enfatizaremos os textos literários que tratam do cotidiano conturbado  da capital cearense,  principalmente os que dialogam com o contexto sócio cultural da cidade, tendo como palco principal a Praça do Ferreira e seu entorno (os transeuntes, os cafés, os bondes, as lojas, os boêmios). Para discutir os textos do O Pão e o contexto da Padaria Espiritual, adotaremos a ideia de modernidade desenvolvida pelo poeta francês Charles Baudelaire no ensaio “O pintor da vida moderna” (1869). A ideia de modernidade é de origem estética, mas é profundamente relacionada a uma perspectiva histórica dos registros artísticos das transformações materiais e sociais pelos quais passavam as cidades europeias, no caso de Baudelaire: Paris. Traremos essa discussão para a cidade de Fortaleza,  no fim do século XIX, pois a capital tinha o desejo de se modernizar, inspirando-se nas metrópoles europeias. O minicurso é constituído por dois momentos: no primeiro momento (4 horas) será apresentada e discutida a ideia de modernidade por Baudelaire. Além do ensaio “O pintor da vida moderna”, analisaremos o conjunto de poemas que formam “Os quadros parisienses”. No segundo momento (4 horas), serão examinados os textos publicados no Jornal O pão, que expressam as singularidades da modernidade em Fortaleza, com ênfase em poemas, crônicas, ensaios, charadas, textos humorísticos. Além da ideia de modernidade de Baudelaire, contaremos com o suporte historiográfico de Leonardo Mota (1938), Dolor Barreira (1948), José Ramos Tinhorão (1966), Sânzio de Azevedo (1982) e (1996), Eduardo Campos (1985) e Sebastião Rogério Ponte (2001). Esta Oficina está vinculada ao projeto de extensão “O entre-lugar na literatura cearense”, que visa ao fomento da leitura, à divulgação e ao auxílio na formação de pesquisadores na área de literatura cearense, trabalhando com uma abordagem da História da Literatura e da Literatura Comparada, enfatizando a formação, a circulação e a recepção dos autores e de obras literárias produzidas no Ceará, debatendo a contribuição dos escritores cearenses para a formação da literatura brasileira
.

domingo, 4 de setembro de 2016

Inscrições GT Literatura, leitura e imaginário

 
Olá, convidamos a todos(as) para participar do Grupo de Trabalho ‘Literatura, leitura e imaginário”, que ocorrerá nos dias 19, 20 e 21 de outubro, durante a X Semana de Humanidades, na UFC. O GT tem como objetivo discutir a importância da leitura do texto literário para uma formação individual e coletiva, com ênfase em aspectos estéticos, críticos, sociais e lúdicos. O GT é realizado pelo Grupo de Pesquisa “Espaços de leitura: cânones e bibliotecas”, coordenado pela Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva, Professora Titular de Teoria literária e Literatura Comparada da UFC.

INSCRIÇÕES
* Enviar resumo das comunicações orais, até o dia 25/09, para:
e-mail: abreurafaela@live.com.pt
Inscrição no Evento: http://goo.gl/reieLh

Coordenação do GT:
Prof.ª Rafaela de Abreu Gomes (Doutoranda/ UFC);
Prof. Charles Ribeiro Pinheiro (Doutorando/UFC).

Mais informações em:

Blog: entrelugarliteraturacearense.blospot.com

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Mesa de Debate - "Literatura para quê?" no IV Seminário Jangada Literária

O Projeto de extensão "O Entre-lugar na Literatura cearense", coordenado pelo professor  Charles Ribeiro Pinheiro e os alunos de doutorado da Pós-graduação em Literatura Comparada da UFC e membros do grupo de pesquisa - "Espaço de leitura: Cânones e bibliotecas", marcarão presença no IV Seminário de Bibliotecas: Ampliando a Rede para a Construção do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca de Fortaleza, organizado pela  Rede de Leitura Jangada Literária.
A mesa intitulada "Literatura para quê? - a contribuição dos estudos literários para as políticas públicas do livro”, com a presença dos professores
Me. e doutorando Wesclei Ribeiro da Cunha (UFC),
M.ª  e doutoranda Rafaela de Abreu Gomes (UFC);
Me. e doutorando Charles Ribeiro Pinheiro (UFC)
e mediação de Aline Monteiro, integrante da Rede Jangada Literária.
Além da discussão do PMLLLB de Fortaleza e do fortalecimento das Bibliotecas comunitárias, haverá uma homenagem à Padaria Espiritual, agremiação cultural mais original e irreverente que ocorreu no Ceará.
Faça sua inscrição gratuita no link: https://goo.gl/forms/Atev9l6x88moojog1
Página do evento do evento no Facebook:
https://www.facebook.com/events/309694176056302/

terça-feira, 30 de agosto de 2016

IV Seminário Jangada Literária

A Rede de Leitura Jangada Literária tem o prazer em convidá-los para participar do IV Seminário de Bibliotecas: Ampliando a Rede para a Construção do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca de Fortaleza
Além da discussão do PMLLLB de Fortaleza e do fortalecimento das Bibliotecas comunitárias, haverá uma homenagem à Padaria Espiritual, agremiação cultural mais original e irreverente que ocorreu no Ceará.
Faça sua inscrição gratuita no link: Inscrições


Site do evento:Jangada Literária

Página do evento do evento no Facebook:
https://www.facebook.com/events/309694176056302/

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Inscrições para nova turma Iluminuras -

 
Estão abertas as inscrições para a nova turma do Iluminuras! O Projeto Iluminuras, que entrelaça a arte literária e a arte dos bordados, nesse semestre (2016/1), irá trabalhar a obra do escritor mineiro Guimarães Rosa, com o conto "O recado do morro", que está na obra 'Corpo de Baile'.
O curso de extensão é vinculado a Biblioteca de Ciências Humanas da UFC, coordenado pela Profª Drª Neuma Cavalcante. 

Inscrições podem ser realizadas através do email:
acervodoescritorcearense@gmail.com (envie seu nome completo e telefone de contato)
-Período do curso: abril - julho de 2016
-Encontros todas as sextas na Biblioteca de Ciências Humanas da UFC - CH1 - Benfica I
-Horário: 14h às 17h
Endereço: Av. da Universidade, 2683 - Bloco 4 - Benfica - CEP 60020-970 - Fortaleza - CE
Estão todos convidados!
Mais informações na página Iluminuras

sábado, 30 de janeiro de 2016

À espera dos bárbaros - Konstantinos Kaváfis



























O que esperamos na ágora reunidos?

      É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

      É que os bárbaros chegam hoje.
      Que leis hão de fazer os senadores?
      Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

      É que os bárbaros chegam hoje.
      O nosso imperador conta saudar
      o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
      um pergaminho no qual estão escritos
      muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

      É que os bárbaros chegam hoje,
      tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

      É que os bárbaros chegam hoje
      e aborrecem arengas, eloqüências.

Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

      Porque é já noite, os bárbaros não vêm
      e gente recém-chegada das fronteiras
      diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.

Tradução José Paulo Paes

Trechos 'Dos canibais", por Michel de Montaigne

MONTAIGNE, Michel. “Capítulo XXXI: Dos Canibais”. In: Ensaios. 1ª. Edição. Os Pensadores. Volume XI. São Paulo: Abril, 1972.


"Penso que há mais barbárie em comer um homem vivo que morto, dilacerar com tormentos e martírios um corpo ainda cheio de vitalidade, assá-lo lentamente e arrojá-lo aos cães e aos porcos, que o mordem e martirizam (como vimos recentemente, e não lemos, entre vizinhos e concidadãos, e não entre antigos inimigos, e, o que é pior, sob pretexto de piedade e de religião) que em o assar e comer depois de morto".



"Voltando ao meu assunto, creio que não há nada de bárbaro ou de selvagem nessa nação, a julgar pelo que me foi referido; sucede, porém, que classificamos de barbárie o que é alheio aos nossos costumes; dir-se-ia que não temos da verdade e da razão outro ponto de referência que o exemplo e a ideia das opiniões e usos do país a que pertencemos. Neste, a religião é sempre perfeita, perfeito o governo, perfeito e irrepreensível o uso de todas as coisas. Aqueles povos são selvagens na medida em que chamamos selvagens aos frutos que a natureza germina e espontaneamente produz; na verdade, melhor deveríamos chamar selvagens aos que alteramos por nosso artifício e desviamos da ordem comum. Nos primeiros, as verdades são vivas e vigorosas, e as virtudes e propriedades mais úteis e naturais do que nos últimos, virtudes e propriedades que nós abastar damos e acomodamos ao prazer do nosso gosto corrompido. E, todavia, em diversos frutos daquelas regiões, que se desenvolvem sem cultivo, o sabor e a delicadeza são excelentes ao gosto, comparando-os com os nossos."

Indicações de leitura sobre Entre-lugar e Cultura

Sobre a última aula do Curso, o artigo discutido do crítico e escritor Silviano Santiago, “O entre-lugar do discurso latino-americano” 
cujo link para leitura: https://goo.gl/jEa8Oq
É um excelente e instigante texto para auxiliar o estudo sobre a problemática literária em relação entre a "Metrópole" e a "província", entre autonomia e dependência cultural, debate pertinente aos estudos de História da Literatura e do Comparatismo.

Para aprofundar esse estudo, recomendamos a litura do livro Uma Literatura nos Trópicos. 2 ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.



Outra recomendação importante é o do pensador Homi Bhabha (professor doutor “Anne F. Rothenberg” de Humanidades, diretor do Centro de Humanidades Mahindra, conselheiro sênior do presidente e reitor da Universidade Harvard, EUA) o seu livro O local da Cultura.

Homi K. Bhabha. O local da cultura. Tradução de Myriam Ávila, Eliana Lourenço de Lima Reis, Gláucia Renate Gonçalves. – 2. ed. – Belo Horizonte : Editora UFMG, 2013.

A seguir, um trecho do livro disponibilizado pelo site da Livraria cultura.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Novo espaço para o 8 Encontro do Curso de Literatura Cearense

Olá, caros alunos e alunas.
Desde ontem, a Biblioteca está sem energia, devido a uma manutenção elétrica.
Então, o nosso encontro de hoje ocorrerá em uma sala do Bloco Didático do Curso de Letras, que é o prédio que fica em frente à entrada da Biblioteca de Ciências Humanas.
Podem se dirigir diretamente para lá.
Até mais.
Professor Charles Ribeiro

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Sobre o adiamento da Aula do dia 14 de Janeiro

Olá, sobre o adiamento do Curso de Extensão em Literatura Cearense.
Para aqueles que compareceram hoje à Biblioteca, infelizmente não tivemos o encontro devido a um contratempo em virtude da reforma da Biblioteca. A diretora estava ciente do contratempo e enviarei uma mensagem com uma reclamação formal.
Já enviei um e-mail a vocês detalhando mais o ocorrido.
Espero agora, resolver com vocês a reposição da aula.
Sei que todos têm atividades distintas, tanto acadêmicas, quanto de trabalho, e esperamos chegar uma solução que contemple a todos.
Peço que  me indiquem a disponibilidade de vocês no período da tarde no outros dias da semana.
Faço a seguinte proposta - qual seria o ideal para repor a aula: realizar dois encontros numa semana, na semana que vem ou na outra; ou passar a aula para a semana seguinte, levando o Curso a ser concluído na semana posterior (a última aula seria no dia 04 de fevereiro, ser for para o dia 11, é a quinta após a quarta feira de cinzas)?
Independente da solução a ser acertada, a aula de hoje foi abonada para todos, e se caso a aula for marcada em outro dia da semana, o aluno que não comparecer não receberá falta.
Então aguardo a resposta de vocês.
Mais uma vez, peço desculpas pelo ocorrido.
Charles

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

História cosmológica do boi - Poeta de Meia-Tigela


O poema formado por quatro sonetos,  "História cosmológica do boi", foi publicado no livro Memorial de Bárbara de Alencar e outros poemas (2008). O poema é constituído por quatro quadros que apresentam narrativas míticas e históricas sobre bois, que atravessaram eras e se entraram na pele e no coração das pessoas. São imagens poéticas que unem, no tempo e espaço, o arcaico e o pop, o folclórico e o religioso, o ocidente o o oriente, o nordeste e o estrangeiro, um rico dialogo de tradições.


HISTÓRIA COSMOLÓGICA DO BOI 

Para Rosemberg Cariry

O Boi quem não viu,
Não sabe o que é bom.
Melhor que bombril,
Melhor que bombom.

l. O BOI ORIGINAL

No princípio dos tempos, Arimã
Não dominava tudo com Seu Mal.
Mas logo procurou difundir Caos
Matando o Homem Perfeito e à Terra sã.

Esse malvado amigo de Satã
Deu fim mesmo no Boi Original.
Nem grão de açúcar nem pedra de sal,
Ninguém restou, adeus linda manhã.

Opa, aguardem que o Bem já se revolta
Prometendo estar em breve de volta,
Do Boi salvando os restos, o cadáver.

Donde nascerão belas Terras outras
E homens bonitos como Jão Travolta,
Mulheres maravilhas, Avas Gardners.

O Poeta de Meia-Tigela


O Poeta de Meia-Tigela (Alves de Aquino), natural de Fortaleza CE, 1974, participou em 2007, da Antologia Massanova – Poesia Contemporânea Brasileira. É autor de: Memorial Bárbara de Alencar & Outros Poemas (2008); Concerto Nº 1nico em Mim Maior Para Palavra e Orquestra. Poema: Combinação de Realidades Puramente Imaginárias [Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2010]; Mutirão; Expressão Gráfica e Editora [2014] MiravilhaLiriai O Campo dos Olhos [Confraria do Vento, 2015]. 

Sobre a sua condição poética, assim ele se expressa:

Tigelimerick

Era um Poeta só de Meia-
Tigela: bem se lhe nomeia
Talvez até nem
Tivesse também
Essa metade — meio-Meia





A outra metade da tigela somos nós, os leitores.

Franklin Távora - Literatura do Norte


Polêmica instaurada no prefácio de O Cabeleira (1876), no qual Franklin Távora, postula uma existência de uma literatura do Norte e outra do Sul, visto que ele defende que a do Norte é mais autêntica:

"As letras têm, como a política, um certo caráter geográfico; mais no Norte, porém, do que no Sul abundam os elementos para a formação de uma literatura propriamente brasileira, filha da terra. A razão é óbvia: o Norte ainda não foi invadido como está sendo o Sul de dia em dia pelo estrangeiro. A feição primitiva, unicamente modificada pela cultura que as raças, as índoles, e os costumes recebem dos tempos ou do progresso, pode-se afirmar que ainda se conserva ali em sua pureza, em sua genuína expressão".

Benção Paterna - José de Alencar


Trecho final do texto “Benção Paterna”, prefácio do romance Sonhos d’Ouro (1872), de José de Alencar. Questionamento importante sobre a dependência, autonomia e o uso de estéticas estrangeiras na literatura brasileira.

“O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pera, o damasco e a nêspera?”